PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais

Curso de Ciências Contábeis

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIODIESEL: UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA O BRASIL

 

 

 

 

 

 

 

Lucilene Maria Acácio

Patrícia Tavares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Belo Horizonte

2008

Lucilene Maria Acácio

Patrícia Tavares

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

BIODIESEL:UMA NOVA ESTRATÉGIA PARA O BRASIL

 

 

 

 

 

Trabalho apresentado à disciplina: Controladoria em Agribusiness do 7º Período do Curso de Ciências Contábeis do Instituto de Ciências Econômicas e Gerenciais da PUC-Minas-BH.

 

Professora: Silvana Santos  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Belo Horizonte

2008

Biodiesel: uma nova estratégia para o Brasil

 

 

 

 

 

 

 

Lucilene Acácio

Aluna graduando em Ciências Contábeis da PUC Minas

Patrícia Tavares

Aluna graduando em Ciências Contábeis da PUC Minas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumo

 

O biodiesel compõe, juntamente com o etanol, importante oferta para o segmento de combustíveis. Ambos são denominados biocombustíveis por serem derivados de biomassa (matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada para a produção de energia), menos poluentes, renováveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Palavras-chaves: Contabilidade, Agronegócio, Biodiesel, Biorefinaria, agroenergia

 

 

 

1 INTRODUÇÃO

 

            A escolha pelo tema “Biodiesel” deu-se pela grande repercussão a frente de questões relacionadas ao meio-ambiente e sociais no Brasil, bem como a vasta gama de possibilidades para sua implementação. Para tal pesquisa foram utilizados para referencial teórico: livros, artigos científicos, sites regulamentados, revistas.  

            O Brasil já detém capacidade laboratorial e competência tecnológica para desenvolver a utilização de novos combustíveis alternativos. Responsável pelo maior programa de uso de energia renovável do mundo, “o proálcool”, o país continua buscando alternativas viáveis e ambientalmente corretas para movimentar sua frota de veículos. Além do álcool hidratado, que há anos abastece grande parte da frota nacional, e da mistura gasolina/álcool, agora o Brasil investe no incremento do biodiesel, uma mistura de óleo vegetal e álcool anidro, capaz de reduzir consideravelmente os níveis de gases poluentes e de produtos carcinogênicos emitidos pelos veículos automotores.

 

           

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

2  A CONTABILIDADE

 

            A Contabilidade é uma ciência social responsável pelo estudo do comportamento das riquezas que compõem o patrimônio de uma entidade. Pode ser considerada um sistema de informação que ajudará os seus usuários na tomada de decisão.

 

Segundo Marion (2003, p. 22) a contabilidade é uma ciência social, pois estuda o comportamento das riquezas que se integram no patrimônio, em face das ações humanas.

 

De acordo com Gouveia (2001, p. 1) a contabilidade é um sistema que permite registrar as transações de uma entidade que possam ser expressas em termos monetários, e informar os reflexos dessas transações na situação econômico financeira da entidade em uma determinada data.

 

A Resolução 774/94 do Conselho Federal de Contabilidade trata a contabilidade como ciência social que possui objeto próprio – o Patrimônio das Entidades - estando fundamentada em conhecimentos obtidos por metodologia racional, com as condições de generalidade, certeza e busca das causas, em nível qualitativo semelhante às demais ciências sociais.

 

Segundo Marion (1991, p. 23) a contabilidade pode ser estudada de modo geral, para todas as empresas ou em particular, aplicada a certo ramo de atividade ou setor da economia. Quando estudada de forma genérica, a contabilidade é denominada Contabilidade Geral ou Contabilidade Financeira. Aplicada em um ramo específico, normalmente é denominada de acordo com a atividade daquele setor.

 

A Contabilidade tem por objetivo fornecer informações para a tomada de decisão dos usuários internos e externos das entidades permitindo a avaliação da situação econômica e financeira da entidade podendo fazer dedução sobre suas tendências futuras.

 

As principais finalidades são assegurar o controle do patrimônio e fornecer informações sobre sua composição, as variações patrimoniais e os resultados das atividades desenvolvidas pelas entidades.

 

A lógica e o funcionamento da Contabilidade estão nas regras gerais que definem a forma de agir para todas as atividades e o pensamento contábil. As regras geralmente assumem a forma de princípios, convenções ou normas contábeis como os Princípios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

3  O AGRONEGÓCIO

 

A evolução sócio-economia, principalmente com os avanços tecnológicos, alterou totalmente a fisionomia das propriedades rurais, que atualmente perdem a sua auto-suficiência; passam a depender cada vez mais de insumos e serviços que não são seus; especializam-se somente em determinadas atividades, geram excedentes de consumo e abastecem mercados, às vezes, muito distantes, recebem informações externas; necessitam de estradas, armazéns, portos, aeroportos, softwares, bolsas de mercadorias, pesquisas, fertilizantes, novas técnicas, tudo de fora da propriedade rural; conquistam mercado e enfrentam a globalização e a internacionalização da economia, modificando o conceito de setor primário ou de agricultura.

 

Percebe-se que o setor primário passa a depender de muitos serviços, máquinas e insumos que vêm de fora, do que ocorre depois da produção como armazéns, infra-estrutura variadas, agroindústrias, mercados atacadista e varejista, exportação.

 

Conforme Araújo (2005, p. 16) John Davis e Ray Goldeberg, professores da Universidade de Havard, nos Estados Unidos da América em 1957, lançaram um conceito para entender a nova realidade da agricultura, criando o termo agribussiness que foi adotado em diversos países. Somente a partir da segunda metade da década de 1990, o termo agronegócio começa a ser aceito e adotado nos livros-textos e os jornais, culminando com a criação dos cursos superiores de agronegócios, em nível de graduação universitária.

O termo agribusiness possui o mesmo sentido do termo agronegócio. Segundo Lauschner (1999, p. 29) o termo agribusiness é o mesmo conceito de agricultura numa economia de subsistência utilizado na economia desenvolvida. A definição de agribusiness é uma única unidade ativa que expressa todo o conjunto de operações de um agricultor de subsistência, atualmente feitos por setores mais especializados. Pode ser traduzido por um complexo rural que é o conjunto de todas as operações que envolvem a produção e distribuição dos insumos rurais; e o armazenamento, processamento, distribuição dos produtos agrícolas e de seus subprodutos.

Conforme Zylbersztajn (2003, p. 15) o termo agronegócio é o conjunto de todas as operações que envolvem desde o setor produtor de insumos para a atividade produtiva primária, até a distribuição do alimento, produção de energia e fibras.

 

Para Araújo Caldas (1998, p.15) o agronegócio é visto como a cadeia produtiva que abrange desde a fabricação de insumos, a produção nas fazendas, a sua transformação e o consumo. Esta cadeia também considera os serviços de apoio como a pesquisa e assistência técnica, processamento, transporte, comercialização, crédito, exportação, serviços portuários, dealers, bolsas, industrialização e todas as etapas até chegar ao consumidor final.

 

Existem instituições e programas que se dedicam ao estudo do agronegócio como a Associação Brasileira de Agribusiness   (Abag), o Programa de Estudos dos Negócios do Sistema Agroindustrial  da Universidade de São Paulo (Pensa/ USP) e o Núcleo de Estudos Avançados em Agronegócios (Nucleagro).

 

3.1  A Visão Sistêmica do Agronegócio

 

Está fundamentada na compreensão dos setores do agronegócio denominados “antes da porteira”, “dentro da porteira” e “após a porteira”.

 

Os setores “antes da porteira” ou o montante da produção agropecuária são compostos basicamente pelos fornecedores de insumos e serviços como máquinas, implementos, defensivos, fertilizantes, corretivos, sementes, tecnologia e financiamento.

 

“Dentro da porteira” ou produção agropecuária é o conjunto de atividades desenvolvidas dentro das unidades produtivas agropecuárias ou fazendas, ou produção agropecuária propriamente dita, que envolve o preparo e manejo de solos, tratos culturais, irrigação, colheita, criações e outras.

 

“Após a porteira” ou a jusante da produção agropecuária  refere-se às atividades de armazenamento, beneficiamento, industrialização, embalagens, distribuição, consumo de produtos alimentares, fibras e produtos energéticos provenientes da biomassa.

 

Esta visão sistêmica do negócio agrícola – e seu conseqüente tratamento como conjunto - potencializa grandes benefícios para um desenvolvimento mais intenso e harmônico da sociedade brasileira. Para tanto existem problemas  e desafios a vencer. Dentre eles, destaca-se o conhecimento das inter-relações das cadeias produtivas para que sejam indicados os requisitos para melhorar sua competitividade, sustentabilidade e eqüidade. (Rufino apud Araújo, 1999, p.22)

 

 

As cadeias produtivas de cada produto agropecuário permitem vizualizar as ações e inter-relações entre todos os agentes que a compõem e dela participam. Implicam em divisão de trabalho, na qual cada agente ou conjunto de agentes realiza etapas distintas do processo produtivo e não se restringe necessariamente a uma mesma região ou localidade.

 

3.2 A produção Agropecuária

 

Segundo Araújo (2005, p. 18) a produção agropecuária pode ser diferenciada da produção de outros bens manufaturados por causa dos seguintes fatores:

 

Sazonalidade da produção: a produção agropecuária é dependente das condições climáticas de cada região, com períodos de safra e de entressafra, isto é, com períodos de abundância de produtos alternados com períodos de falta de produção. Observando-se o consumo não há grande variação ao longo do ano nas quantidades procuradas, que permanecem praticamente constantes.

 

Influência dos fatores biológicos: doenças e pragas que diminuem a quantidade produzida e a qualidade dos produtos, ou podem levar à perda total da produção.

 

Perecibilidade rápida: após a colheita continua a atividade biológica dos produtos agropecuários. Com isso, a vida útil desses produtos tende a ser diminuída de forma acelerada. Se não houver cuidados específicos, esses produtos após colhidos, podem durar poucas horas, dias, ou semanas.

 

3.3  A importância do Agronegócio

 

O agronegócio é o segmento econômico de maior valor em termos mundiais e, sua importância relativa varia para cada país.

 

Representa um dos pontos fortes e crescentes da economia brasileira pela disponibilidade de terras produtivas em nosso país, pelo fator climático que favorece o cultivo de várias espécies vegetais como os cereais, leguminosas e oleaginosas que podem ser adaptadas às diversas regiões com a adoção de tecnologia como a correção dos solos, melhora das sementes com aumento da resistência favorecendo a produtividade e disponibilidade de mão-de–obra.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) as safras de produtos agrícolas no Brasil entre no ano de 2007 foi de 133100720 toneladas e no ano de 2008 no período compreendido entre janeiro e abril de 2008 a produção foi de 142.632.115 toneladas superando a produção de 2007.

 

A balança comercial brasileira é favorável ao agronegócio, mostrando que os saldos das exportações são maiores que os saldos das importações. Esses dados demonstram que o Brasil mesmo com a grande produção interna de produtos precisa ainda de importar alguns produtos para sustentar o mercado interno.

 

Com o crescente aumento das exportações, percebe-se que o mercado internacional é favorável aos produtos brasileiros que podem ter mais expressividade nesse mercado com o apoio do Governo.

 

 

 

 

 

 

Tabela 1

Produção de produtos agrícolas no Brasil 2007 e 2008

 

 

Produtos

Produção ( t )

Safra 2007

Safra 2008

Variação %

Algodão herbáceo (caroço)

2 497 588

2 406 092

-3,7

Amendoim (em casca) 1ª safra

185 322

236 455

27,6

Arroz (em casca)

11 047 937

11 994 051

8,6

Feijão (em grão) 1ª safra

1 776 217

1 672 422

-5,8

Manona (baga)

88 574

120 592

36,1

Milho (em grão) 1ª safra

36 123 249

39 590 463

9,6

Soja (em grão)

57 952 011

59 457 662

2,6

Sub-total

109 670 898

115 477 737

5,3

 

 

 

 

Amendoim (em casca) 2ª safra

41 927

48 491

15,7

Aveia (em grão)

212 961

238 723

12,1

Centeio (em grão)

4 620

5 101

10,4

Cevada (em grão)

235 578

255 508

8,5

Feijão (em grão) 2ª safra

1 074 034

1 432 024

33,3

Feijão (em grão) 3ª safra

394 985

393 444

-0,4

Girassol (em grão)

101 178

136 240

34,7

Milho (em grão) 2ª safra

15 707 421

18 170 491

15,7

Sorgo (em grão)

1 385 240

1 686 348

21,7

Trigo (em grão)

4 088 908

4 594 236

12,4

Triticale (em grão)

182 970

193 772

5,9

Sub-total

23 429 822

27 154 378

15,9

 

 

 

 

Total

133 100 720

142 632 115

7,2

FONTE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Tabela 2

Balança Comercial Brasileira em 2007 em US$ milhões FOB

 

 

 

 

 

4  CONCEITO E IMPORTÂNCIA DO BIODIESEL

 

            O biodiesel pode ser denominado como:

 

 um combustível derivado de fontes biológicas que pode ser usado em motores diesel ao invés do diesel derivado de petróleo. Pelo processo de transerificação, os triglicérides dos óleos vegetais são separados da glicerina, criando um combustível renovável de queima limpa. <http://www.biodiesel.com/diesel>

 

É utilizado para substituição do óleo diesel, em percentuais adicionados no óleo diesel ou integral, usados nos motores à combustão dos transportes rodoviários e aquaviários e nos motores utilizados para a geração de energia elétrica.

 

O biodiesel compõe, juntamente com o etanol, importante oferta para o segmento de combustíveis. Ambos são denominados biocombustíveis por serem derivados de biomassa

(matéria orgânica de origem animal ou vegetal que pode ser utilizada para a produção de energia), menos poluentes, renováveis.

 

A definição de biodiesel adotada na Lei nº 11.097, de 13 de dezembro de 2005 é biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna, com ignição por compressão ou, conforme regulamento, para geração de outro tipo de energia que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil.) 

 

O Biodiesel é um combustível líquido derivado de biomassa renovável, que substitui total ou parcialmente o óleo diesel de Petróleo em motores de ignição por compressão: os motores automotivos (caminhões, tratores, caminhonetas, etc.). O biodiesel pode ainda substituir outros tipos de combustíveis fósseis na geração de energia a exemplo do uso em caldeiras ou em geração de calor em processos industriais. (http://www.faemg.org.br/arquivos/Biodiesel)

 

No Brasil, já está disponível em pelo menos 2.278 postos, desde o final de 2005, a mistura B2, que significa a mistura de 2% de biodiesel e 98% de óleo diesel derivado de petróleo.

 

4.1   A importância do Biodiesel

 

As fontes renováveis de energia assumem importante presença no mundo contemporâneo pelas seguintes razões:

 

§         Os cenários futuros apontam para a possível finitude de reservas de petróleo;

§         A concentração de petróleo explorado atualmente está em áreas geográficas de conflito, o que impacta no preço e na regularidade de fornecimento do produto;

§         As novas jazidas em prospecção estão situadas em áreas de elevado custo de extração;

§         E mudanças climáticas com a emissão de gases de efeito estufa liberados pela atividade humana e pelo uso intensivo de combustíveis fósseis com danosos impactos ambientais, reorientam o mundo contemporâneo para a busca de novas fontes de energia com possibilidade de renovação e que assegurem o desenvolvimento sustentável.

 

Alguns acontecimentos mundiais evidenciaram a necessidade de se buscar alternativas energéticas renováveis de menor custo e maior diversidade de matérias-primas como a divulgação de notícias a respeito das alterações climáticas decorrentes das emissões de gases estufa e seus impactos ambientais, as crises de petróleo que acontecem freqüentemente provocando insegurança no abastecimento e a constante elevação no preço do barril de petróleo.

 

A década de 90 marcou importantes avanços nos biocombustíveis, com notável revolução na oferta de alternativos derivados de biomassa aos combustíveis de origem fóssil e não-renovável.

 

Acompanhando o movimento mundial e apoiado em suas experiências anteriores, o Brasil dirigiu sua atenção, no final dos anos 90, para os projetos destinados ao desenvolvimento do biodiesel. Essas iniciativas ficaram circunscritas às áreas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), com destaque para aquelas desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

 

Avanços mais significativos foram dados pelo Governo em dezembro de 2003, ao constituir a Comissão Executiva Interministerial (CEI) e o Grupo Gestor (GG), ambos encarregados da implantação das ações para a produção e uso do biodiesel.

 

Os estudos e relatórios da CEI e do GG subsidiaram a formulação do Programa Nacional de Produção e uso do Biodiesel (PNPB), lançado em dezembro de 2004. (http://www.biodiesel.gov.br)

 

As principais diretrizes do PNPB são:

 

§         Implantar um programa sustentável, promovendo inclusão social;

§         Garantir preços competitivos, qualidade e suprimento e,

§         Produzir o biodiesel a partir de diferentes fontes oleaginosas e em regiões diversas.

 

As expectativas criadas pela nova geração de biocombustíveis passam por inúmeras questões de vital importância para o mundo contemporâneo. Destacam-se às de caráter ambiental com medidas mitigadoras do efeito estufa e as oportunidades de geração de emprego e renda em toda a cadeia produtiva dos biocombustíveis.

 

O Brasil possui vantagens em relação aos outros países por possuir um amplo território com clima tropical e subtropical francamente favorável ao cultivo de grande variedade de matérias-primas potenciais para a produção de biodiesel, grandes empreendimentos relacionados à agroenergia com significativo incremento na renda do campo à cidade, constituindo os principais motivos para a promoção do desenvolvimento sustentável.

4.2 Instrumentos Regulatórios no Brasil

 

A Lei nº 11.097/05 aprovada pelo Congresso Nacional em 13 de janeiro de 2005 é a responsável pela introdução do biodiesel na matriz energética brasileira. A Lei nº 11.097/05 estabelece os percentuais mínimos de mistura do biodiesel ao diesel e o monitoramento da inserção do novo combustível no mercado brasileiro.

 

§         2005 a 2007: 2% autorizativo. Mercado potencial: 800 milhões de litros/ ano.

 

§         2008 a 2012: 2% obrigatório. Mercado firme: 1 bilhão de litros/ ano.

 

§         2013 em diante: 5% obrigatório. Mercado firme: 2,4 bilhões litros/ ano.

 

No mercado de biocombustível convencionou-se adotar a expressão BXX na qual B significa biodiesel e XX a proporção do biocombustível misturado ao óleo diesel. A sigla B2 significa 2% do Biodiesel e 98% de óleo diesel e o B5 equivale a 5% de biodiesel e 95% de óleo mineral. Estas misturas estão aprovadas para uso em território brasileiro e devem ter a sua produção segundo as especificações técnicas definidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

 

A Lei prevê a possibilidade de antecipação dos prazos estabelecidos com determinação por meio de resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Para que ocorra esta antecipação é preciso que o segmento de biodiesel e as demais áreas correlacionadas a ele atendam aos seguintes critérios:

 

§         Disponibilidade de oferta de matéria-prima e a capacidade industrial para a produção de biodiesel

§         A participação da agricultura familiar na oferta de matérias-primas;

§         A redução das desigualdades regionais;

§         O desempenho dos motores com a utilização do combustível e,

§         As políticas industriais e de inovação tecnlógica.

 

O CNPE antecipou, por meio da Resolução nº 3, de 23 de setembro de 2005, o prazo para o atendimento do percentual mínimo intermediário de 2% ao diesel para o início de 2006, restringindo a obrigatoriedade ao volume produzido pelas empresas detentoras do “Selo Combustível Social”.

 

Com o objetivo de assegurar a efetiva participação de pequenos produtores no programa, o Governo lançou o Selo Combustível Social por meio da Instrução Normativa nº 2, de 30 de setembro de 2005, que dispõe sobre critérios e os procedimentos relativos ao enquadramento de projetos de produção do biodiesel ao Selo Combustível Social.

 

O Selo Combustível Social foi criado pelo Programa Nacional de Produção de Biodiesel e é concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para empresas juridicamente constituídas sob as leis brasileiras, e que têm um projeto de produção de biodiesel que está dentro das seguintes exigências:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

5          A BIOREFINARIA

           

            “A novidade, desenvolvida no IPT permite a síntese de combustíveis líquidos, como o álcool, a partir do bagaço da cana, sem precisar aumentar a área plantada processo.” (http://www.homenews.com.br).

 

            Os combustíveis sintéticos, apesar de geralmente mais caros, costumam ter melhor rendimento e poluir menos a atmosfera quando comparados com produtos obtidos da destilação do petróleo. O mesmo raciocínio genérico vale para o álcool, que, quando obtido por via sintética, tem menos poluentes do que quando gerado por fermentação.

            Aliado a esse processo mais limpo, existe uma grande parcela de energia contida na cana-de-açúcar que é desperdiçada todos os dias nas usinas brasileiras. O álcool, por exemplo, representa apenas 30% do poderio energético contido na planta.
            Cientes disso, pesquisadores do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) desenvolvem um processo que poderá aumentar bastante o rendimento da cana na geração de energia, fundamental para movimentar motores. De um lado entra o bagaço, de outro sai combustível líquido.

 

             De acordo com CENPES, “Bio-refinaria é uma planta industrial que integra os processos de conversão de biomassa para produzir combustíveis, produtos químicos de alto valor agregado e energia.”

 

        A indútria petroquímica produz uma enorme variedade de produtos de combustíveis fósseis (plásticos, produtos químicos, combustíveis, energia), produtos semelhantes podem, em grande parte, ser feitos a partir de biomassa. Uma biorefinaria é uma estrutura que integra processos e equipamentos para a conversão da biomassa nesses produtos. (www.bionauta.com)

 

            A construção de biorefinarias industriais é um caminho promissor. Mas visto ser composta por hidratos de carbono, a biomassa tem uma adição de um átomo de oxigénio quando comparada aos combustíveis fosseis que são compostos somente por carbono e hidrogénio (hidrocarbonetos). Isto faz com que alguns produtos sejam mais difíceis de conseguir.

            Ambos os processos, petroquímico e  Biorefinarias, são baseados na mesma estratégia: decompor as moléculas nos seus componentes principais (hidrocarbonetos ou hidratos de carbono) e produtos químicos base, para usá-los na criação de produtos novos.

           

            Uma biorefinaria pode produzir produtos múltiplos, e ligar vários processos que maximizam o aproveitamento da biomassa, minimizando a carga poluente. Produzindo ao mesmo tempo produtos químicos, combustível líquido, gerando calor e electricidade, como exemplo. Um sistema como este pode ser quase auto-suficiente, maximizando os lucros de uma forma mais segura menos poluente e renovável.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6 AGROENERGIA

 

    O Plano Nacional de Agroenergia  - 2006/2011, segundo www.agricultura.gov.br: 

 

 

Objetivo Principal:

·        Desenvolver e transferir conhecimento e tecnologias que contribuam para a produção sustentável da agricultura de energia e para o uso racional da energia renovável, visando à competitividade do agronegócio brasileiro e dar suporte às políticas públicas.

Objetivos do Plano:

·        Propiciar condições para o aumento da participação de fontes de agroenergiana composição da matriz energética;
Gerar condições para permitir a interiorização e a regionalização dodesenvolvimento, fundadas na expansão da agricultura de energia e na agregaçãode valor à cadeia produtiva;
Criar oportunidades de expansão do emprego no âmbito do agronegócio;

·        Permitir a ampliação das oportunidades de renda, com distribuição mais eqüitativa entre os atores;

·        Contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa;

·        Colaborar para a redução das importações de petróleo;

·        Incrementar as exportações de biocombustíveis.

 

            Antes do uso dos derivados de petróleo em larga escala (século XX e início do século XXI), as principais fontes de energia utilizada pela civilização eram o carvão mineral e os produtos da biomassa, principalmente de madeira ou subprodutos da atividade agrícola. O aumento da demanda de derivados de petróleo e consequentemente alta de preço têm estimulado o desenvolvimento de combustíveis alternativos. Para a gasolina, o álcool já demonstrou sua eficiência e o Brasil é o líder mundial nesse tipo de combustível. Para o diesel, o combustível líquido mais usado no Brasil, principalmente em veículos de transporte de carga e passageiros, os primeiros passos para sua substituição ainda estão começando. A principal fonte para os substitutos de diesel estudados tem sido os óleos vegetais e gorduras animais, que são compostos químicos denominados de triglicerídeos. Há três caminhos que estão sendo analisados para a produção de substitutos do diesel a partir dos trigligerídeos: O uso do óleo vegetal virgem; dos produtos de pirólise dos triglicerídeos (semelhante ao craqueamneto do petróleo) e a conversão dos triglicerídeos em mono-esteres pelo processo de transesterificação (esse último produto é que tem sido denominado oficialmente de biodiesel)( www.agronline.com.br).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7 PROGRAMA BRASILEIRO DE BIOCOMBUSTÍVEIS

            O biodiesel pode ser produzido com o óleo extraído dos grãos (soja, mamona, dendê, algodão, girassol ou palma) ou com a gordura animal (sebo). O óleo vegetal ou o sebo passa por processo industrial para adquirir estrutura química semelhante à do óleo diesel (na usina, junta-se ao etanol, proveniente de cana-de-açúcar, ou metanol). O biodiesel será misturado ao diesel de petróleo na proporção de 2% (em 2008) e de 5% (2013). A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) criou um centro de pesquisa específico para a agroenergia, a Embrapa Agroenergia (Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 2006, p. B6).

            O programa brasileiro de biocombustíveis, testado e aprovado há 30 anos, é uma resposta promissora à questão do aquecimento climático, assim como às incertezas em torno do fornecimento dos combustíveis fósseis. O mundo tem um duplo desafio: alcançar a segurança energética sem causar desequilíbrios ambientais. Ao adicionar 25% de etanol derivado da cana-de-açúcar à gasolina ou utilizar álcool puro em carros ´flex-fuel´, reduzimos em 40% o consumo e a importação de combustíveis fósseis, bem como deixamos de emitir, desde 2003, mais de 120 milhões de toneladas de gás carbônico. Urge implementar políticas para ajudar a garantir à humanidade a prosperidade como um todo, sem deixar ninguém para trás, nem hipotecar o futuro das novas gerações (VALOR, 2007, p. a12)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

            Conceitualmente o biodiesel pode substituir o diesel de origem fóssil em qualquer das suas aplicações. No entanto, a inserção deste combustível na matriz energética brasileira deverá ocorrer de forma gradual e focada em mercados específicos, que garantam a irreversibilidade do processo.

 

            O Brasil explora menos de um terço de sua área agricultável, o que constitui a maior fronteira para expansão agrícola do mundo. O potencial é de cerca de 150 milhões de hectares, sendo 90 milhões referentes à novas fronteiras, e outros 60 referentes a terras de pastagens que podem ser convertidas em exploração agrícola a curto prazo. O Programa Biodiesel visa a utilização apenas de terras inadequadas para o plantio de gêneros alimentícios.

            Há também a grande diversidade de opções para produção de biodiesel, tais como a palma e o babaçu no norte, a soja, o girassol e o amendoim nas regiões sul, sudeste e centro-oeste, e a mamona, que além de ser a melhor opção do semi-árido nordestino, apresenta-se também como alternativa às demais regiões do país.

 

            O Brasil apresenta grandes vantagens para produção de biocombustíveis, pois apresenta geografia favorável, situa-se em uma região tropical, com altas taxas de luminosidade e temperaturas médias anuais. Associada a disponibilidade hídrica e regularidade de chuvas, torna-se o país com maior potencial para produção de energia renovável.

 

            Cada vez mais o preço da gasolina, diesel e derivados de petróleo tendem a subir. A cada ano o consumo aumenta e as reservas diminuem. Além do problema físico, há o problema político: a cada ameaça de guerra ou crise internacional, o preço do barril de petróleo dispara.

 

            O uso do biodiesel pode atender a diferentes demanda de mercado, significando uma opção singular para diversas características regionais existentes ao longo do território nacional.

            O objetivo da pesquisa foi atendido, uma vez que se pôde analisar a viabilidade da implementação do biodiesel em larga escala no Brasil nos próximos anos, bem como sua funcionalidade ao meio-ambiente e importância social.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

REFERÊNCIAS

 

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