Projeto propõe indenização escalonada por atraso salarial

Notícias / geral - 02/10/26 20 Views
Projeto propõe indenização escalonada por atraso salarial

O Projeto de Lei 3.151/2026 prevê uma indenização para trabalhadores que tiverem o salário pago com atraso sem justificativa. Pela proposta, o empregador deverá pagar 2% do valor líquido da remuneração mensal, acrescidos de 1% por dia útil de atraso, com limite de 20%, além de juros e correção monetária.

O texto, apresentado pelo deputado Marcos Tavares (PDT-RJ), também estabelece medidas para prevenir o assédio moral e a violência no ambiente de trabalho e proíbe retaliações contra trabalhadores que denunciarem irregularidades. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

Como funcionaria a indenização por atraso salarial

De acordo com o projeto, o pagamento do salário sem justificativa após o prazo estabelecido geraria uma indenização escalonada.

 

O cálculo começaria com 2% do valor líquido da remuneração mensal. A esse percentual seria acrescentado 1% por dia útil de atraso, até o limite de 20%.

Além da indenização, o empregador continuaria responsável pelo pagamento de juros e correção monetária sobre o valor devido.

A medida está prevista no PL 3.151/26 e, portanto, não representa uma regra atualmente em vigor.

Atraso recorrente pode ser considerado falta grave

O projeto também define quando o atraso salarial seria considerado recorrente.

Pela proposta, haverá mora salarial reiterada quando o atraso ocorrer por três meses, consecutivos ou não, dentro de um período de 12 meses.

Nessa situação, a conduta será considerada falta grave do empregador. O trabalhador poderá pedir a rescisão indireta do contrato de trabalho e comunicar o caso aos órgãos de fiscalização.

Projeto também trata de assédio no trabalho

Além das regras relacionadas ao salário, o PL 3.151/26 cria medidas para prevenção e apuração de assédio moral e violência laboral.

Entre as obrigações previstas estão:

  1. estabelecimento de regras internas claras de conduta;
  2. criação de canais seguros e confidenciais para denúncias;
  3. realização periódica de ações de orientação e capacitação.

A omissão, a tolerância ou a prática de assédio e violência laboral também poderá ser considerada falta grave do empregador, permitindo a rescisão indireta.

Para microempresas e empresas de pequeno porte, o texto prevê a possibilidade de cumprimento dessas obrigações por meio de procedimentos simplificados ou canais compartilhados.

Proposta cria proteção contra retaliações

O projeto também proíbe medidas de retaliação contra trabalhadores, testemunhas ou representantes que denunciarem irregularidades trabalhistas ou situações de assédio.

Entre os atos considerados retaliação estão:

  1. demissão sem justa causa;
  2. alteração contratual prejudicial;
  3. rebaixamento de cargo;
  4. transferência abusiva;
  5. redução de jornada ou salário.

A proteção seria aplicada durante os 12 meses seguintes à denúncia.

Se a retaliação for reconhecida, o trabalhador poderá retornar ao emprego ou receber indenização, além de reparação por danos materiais, morais ou existenciais.

A regra não se aplicaria a denúncias comprovadamente falsas e realizadas de má-fé.

Empresas com contratos públicos terão novas exigências

O PL também estabelece obrigações para empresas que mantêm contratos com a administração pública.

Pelo texto, essas empresas deverão declarar que possuem mecanismos mínimos de prevenção ao assédio, à violência e à retaliação.

A fiscalização do trabalho deverá priorizar situações que envolvam atraso salarial coletivo ou reiterado, assédio moral institucional, retaliação a denunciantes e fraudes em vínculos empregatícios.

Tramitação do projeto

O PL 3.151/2026 foi apresentado em 16 de junho de 2026 e está sujeito à apreciação conclusiva pelas comissões. Atualmente, aguarda a designação de relator na Comissão de Trabalho.

A proposta também será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Em 2 de setembro, o PL 3.189/2026 foi apensado ao projeto.

Para se tornar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Com informações da Agência Câmara de Notícias